Em uma propriedade rural na região norte de Mato Grosso, o monitoramento das lavouras já não depende apenas da observação a campo. Drones, sensores e sistemas de agricultura de precisão auxiliam produtores na tomada de decisões, permitindo reduzir desperdícios e aumentar a produtividade. O avanço tecnológico, aliado a práticas sustentáveis, tem transformado a produção de soja e milho no estado, que lidera a produção nacional de grãos.
Referência no agronegócio brasileiro, Mato Grosso vem ampliando a adoção de tecnologias voltadas à eficiência produtiva e à conservação dos recursos naturais. A combinação entre inovação e sustentabilidade tem contribuído para enfrentar desafios como as mudanças climáticas, a preservação do solo e a necessidade de produzir mais em áreas já consolidadas.
Tecnologia no campo
Nos últimos anos, a agricultura mato-grossense passou por uma profunda modernização. Equipamentos com GPS, drones, sensores climáticos e softwares de gestão passaram a integrar a rotina das propriedades rurais.
Para Mauro Malacarne, produtor da região norte do estado, a diferença é visível no dia a dia.
“Antes muitas decisões eram tomadas apenas pela experiência de campo. Hoje conseguimos acompanhar as condições da lavoura com mais precisão e agir mais rápido quando aparece algum problema”, relata Mauro.
Além de melhorar o controle da produção, a tecnologia permite otimizar o uso de fertilizantes, defensivos e combustível, reduzindo custos operacionais.
Segundo o pesquisador Cornélio Alberto Zolin, da Embrapa Agrossilvipastoril, os sistemas integrados de produção têm desempenhado papel fundamental nesse processo.
“A integração entre lavoura, pecuária e forrageiras promove melhorias importantes no solo, aumentando a infiltração de água, a atividade biológica e a matéria orgânica”, explica.
Sustentabilidade na prática
Uma das estratégias que mais cresce no campo é a adoção dos sistemas integrados de produção, especialmente aqueles que combinam soja, milho e braquiária.
De acordo com Zolin, a presença das forrageiras favorece o desenvolvimento das raízes em camadas mais profundas do solo, aumentando sua capacidade de armazenar água.
“Quando ocorre um período de estiagem ou veranico, as plantas apresentam maior resiliência e conseguem suportar melhor a falta de chuva”, afirma.
Outra prática importante é o plantio direto, que mantém a cobertura vegetal sobre o solo após a colheita. A técnica reduz a erosão, melhora a infiltração da água e ajuda a conservar nutrientes.
Pesquisas da Embrapa demonstram que áreas sem cobertura vegetal podem apresentar perdas de água várias vezes maiores quando comparadas aos sistemas conservacionistas.
“A água que escoa superficialmente leva também nutrientes e fertilizantes que poderiam ser aproveitados pela lavoura, gerando prejuízos econômicos e impactos ambientais”, destaca o pesquisador.
Produção com menos desperdício
O uso de drones e sensores também tem contribuído para tornar a produção mais eficiente.
Essas ferramentas permitem identificar áreas com deficiência hídrica, monitorar o desenvolvimento das plantas e avaliar as condições da lavoura em tempo real.
Com informações mais precisas, os produtores conseguem direcionar melhor os investimentos e reduzir desperdícios.
“Hoje conseguimos aplicar recursos apenas onde realmente existe necessidade. Isso melhora os resultados e evita gastos desnecessários”, afirma o Mauro.
Além disso, tecnologias de monitoramento climático auxiliam no planejamento das operações agrícolas e ajudam a reduzir riscos relacionados às condições do tempo.
Impacto econômico e social
Os benefícios da modernização vão além das porteiras das fazendas.
O aumento da produtividade fortalece a economia regional, gera empregos e movimenta setores como transporte, comércio, oficinas, revendas de máquinas e prestação de serviços.
A busca por mão de obra qualificada também cresce à medida que novas tecnologias são incorporadas às propriedades.
“Cada vez mais precisamos de profissionais capacitados para operar equipamentos, interpretar dados e utilizar ferramentas digitais”, observa o Mauro.
Especialistas destacam ainda que a sustentabilidade deixou de ser apenas uma exigência ambiental e passou a representar uma vantagem competitiva para o setor.
Desafios para ampliar a inovação
Apesar dos avanços, alguns obstáculos ainda dificultam a ampliação dessas tecnologias.
O custo inicial de determinados equipamentos, a conectividade em áreas rurais e a necessidade de capacitação continuam sendo desafios, especialmente para pequenos produtores.
Segundo Zolin, as informações e tecnologias desenvolvidas pela Embrapa estão disponíveis para produtores de todos os portes por meio de pesquisas, capacitações e dias de campo.
“O acesso ao conhecimento é fundamental para que mais produtores possam implementar sistemas sustentáveis e aumentar a resiliência das propriedades frente aos desafios climáticos”, afirma.
O futuro do agro mato-grossense
Com a demanda crescente por alimentos produzidos de forma sustentável, a tendência é que a tecnologia esteja cada vez mais presente nas lavouras.
Para especialistas, o futuro da produção de soja e milho em Mato Grosso passa pela combinação entre inovação, conservação ambiental e eficiência produtiva.
Ao unir conhecimento técnico, gestão e sustentabilidade, o agronegócio mato-grossense busca produzir mais, reduzir desperdícios e garantir competitividade sem renunciar à preservação dos recursos naturais.