O cooperativismo tem se consolidado como uma importante ferramenta para o desenvolvimento econômico e social, promovendo não apenas o fortalecimento das atividades produtivas, mas também contribuindo para a educação financeira, a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida da população.
De acordo com o economista Feliciano Azuaga, o modelo cooperativista permite que pessoas com interesses em comum se organizem para ampliar oportunidades e enfrentar desafios de forma coletiva.
“O cooperativismo pode sim ter um impacto direto na vida da sociedade e da comunidade. Ele gera aumento de eficiência, produtividade e produz reflexos positivos na vida financeira do cidadão comum. Trata-se de um modelo de associação econômica que reúne pessoas com interesses comuns e cria condições para que elas tenham mais força e participação nas decisões que impactam o seu dia a dia”, explica.
Segundo Azuaga, um dos principais diferenciais do sistema cooperativista é o fortalecimento do poder de negociação dos associados.
“Quando uma pessoa participa de uma cooperativa, ela deixa de atuar sozinha e passa a integrar uma organização maior. Isso amplia o poder de barganha, facilita o acesso a novos mercados, melhora as condições de compra e venda e fortalece toda a cadeia produtiva”, afirma.
O economista destaca ainda que o cooperativismo vai além das questões econômicas.
“As cooperativas também promovem a troca de experiências, a circulação de informações e a formação técnica dos cooperados. Isso fortalece a gestão, melhora o planejamento financeiro e contribui para uma maior resiliência econômica das famílias e dos negócios.”
Para ele, o modelo tem apresentado resultados expressivos no Sul do Brasil e segue em expansão no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso.
“Quando você está associado a uma cooperativa, deixa de ser apenas um CPF e passa a fazer parte de um grande CNPJ. Isso amplia sua capacidade de negociação, aumenta sua competitividade e gera impactos positivos do ponto de vista econômico, social e financeiro para toda a comunidade”, completa.
Saúde mental e financeira caminham juntas
A importância da educação financeira também foi observada pela psicóloga Dra. Luiza Alvarenga Marques de Medeiros, que desenvolve, juntamente com o pesquisador Fábio Nascimento Fagundes, um projeto de extensão da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) voltado à saúde mental e financeira.
Segundo a psicóloga, as dificuldades econômicas afetam diretamente o bem-estar emocional das pessoas.
“Questões financeiras estão entre os principais fatores de ansiedade e estresse na vida adulta. Quando uma pessoa enfrenta dívidas constantes, insegurança econômica ou falta de planejamento financeiro, isso pode impactar seus relacionamentos, seu desempenho profissional e sua saúde emocional.”
Para Dra. Luiza, iniciativas que promovam conhecimento financeiro ajudam também na prevenção de problemas psicológicos.
“A educação financeira contribui para que as pessoas desenvolvam mais autonomia, organização e segurança. Isso reduz a sensação de descontrole e favorece uma melhor qualidade de vida.”
O pesquisador Fábio Nascimento Fagundes ressalta que os resultados observados no projeto de extensão demonstram uma forte conexão entre comportamento financeiro e saúde mental.
“Em diversas situações percebemos que o endividamento não é apenas uma questão econômica. Muitas vezes ele está relacionado a hábitos de consumo, impulsividade, falta de informação ou ausência de planejamento. Quando trabalhamos essas questões, os resultados aparecem tanto na organização financeira quanto na saúde emocional.”
Segundo Fábio, investir em educação financeira significa fortalecer a cidadania.
“Educação financeira não é apenas aprender a economizar dinheiro. É desenvolver a capacidade de tomar decisões conscientes, planejar objetivos e construir uma relação mais saudável com os recursos financeiros ao longo da vida.”
Assuntos financeiros lideram reclamações no Procon
A necessidade de ampliar a educação financeira também é reforçada pelos números registrados pelo Procon de Sinop.
Levantamento divulgado pelo órgão apontou que os assuntos financeiros lideraram o ranking de reclamações dos consumidores. Somente no primeiro semestre de 2023 foram registrados 1.706 atendimentos relacionados a instituições financeiras, cobranças indevidas, cartões de crédito, empréstimos e outros serviços bancários.
O diretor do Procon de Sinop, Vilson Barozzi, avalia que os números revelam a importância da informação e do planejamento financeiro.
“Quando observamos que os assuntos financeiros ocupam o primeiro lugar nas reclamações, percebemos que existe uma necessidade muito grande de orientação ao consumidor. Muitas pessoas enfrentam problemas por desconhecer cláusulas contratuais, condições de crédito ou mesmo os impactos de determinadas decisões financeiras.”
Barozzi destaca que a prevenção continua sendo a melhor estratégia.
“A saúde financeira começa pelo planejamento. Antes de assumir qualquer compromisso financeiro, é fundamental analisar a capacidade de pagamento, pesquisar informações e compreender todos os detalhes da contratação. Um consumidor bem informado reduz significativamente os riscos de problemas futuros.”
O diretor ressalta que a atuação do Procon vai além da resolução de conflitos.
“Nosso papel também é educativo. Quanto mais informação o cidadão possui, mais preparado ele está para proteger seus direitos, evitar endividamentos desnecessários e tomar decisões financeiras mais conscientes.”
Para os especialistas ouvidos pela reportagem, cooperativismo, educação financeira e saúde mental são temas que caminham juntos e desempenham papel fundamental na construção de uma sociedade mais equilibrada, resiliente e preparada para enfrentar os desafios econômicos contemporâneos.